terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Diálogo IV (Maria Gabriela Saldanha)

- Eu te amo!

[Não ainda. Não diria que se trata de amor. Meus olhos se encorajam de contar o que o verbo resguarda... Certo dia, em alguma das minhas muitas torres, embaraçou a pipa de um menino cheio de esperanças, então desesperadas pela soma da tempestade, do raio e da barbárie natural a que alguns chamam carma. De lá para cá, o que quer que se assemelhe a uma descarga elétrica, do orgasmo à cólera, revive em mim o menino perdido, com todas as suas dores e encantos. Farejo no seu perfume uma eletricidade que se dispôs a me resgatar no monte mais escondido de mim, devolvendo-me à vida. E temo.]

- Eu também!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

da Bahia

de uma feita, num assunto 
um amigo me perguntou:
mas e a Bahia?
de tanto amor eu disse:
a Bahia?
Olha, a Bahia é um verbo.
Eu bahio a Bahia.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

luz de todas as tardes

todas as tardes
o sol por entre as folhas
da mangueira
rendeia os azulejos
num tom de despedida
porque as tardes são tão lindas?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

do filme

acender a luz pra que?
gosto de andar assim pela casa toda apagada
e saber que é minha,
guarda meus sonhos, meus cheiros
e assim dá pra ver ainda mais a magia
linda
branca
poderosa
e iluminada,
lua

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

da coragem

dizem que isso é da Clarice, li hoje pelas timeline da vida:

"eu tenho medos bobos e coragens absurdas"

ô!